A Coleção de Arte do Renault Group tem mais de 50 anos. Uma história vanguardista construída desde 1967, convidando artistas contemporâneos para o coração da empresa. O objetivo? Estabelecer pontes entre a indústria automóvel e a arte contemporânea. Hoje, o Renault Group vai mais longe com a criação do Fundo de Dotação Renault para a Arte e a Cultura, destinado a salvaguardar, proteger as obras da coleção e a renová-la com artistas contemporâneos. Uma das primeiras realizações surgiu de uma colaboração com o artista de rua britânico Dan Rawlings no Renault 5 E-Tech electric. Vamos aos bastidores para descobrir o trabalho de orfebre deste escultor de entrelaçados metálicos, responsável por esta obra de arte única.
pelo Renault Group
Quando a arte se instala num espaço industrial: Dan Rawlings reinterpreta o mito do R5 em Douai
No passado dia 21 de maio, um recém-chegado à Manufacture de Douai, a Ampere ElectriCity, abriu as portas de uma oficina e descobriu uma silhueta inédita. A de um automóvel icónico reinventado pela Renault: o Renault 5 E-Tech electric. Este «colaborador» atípico é Dan Rawlings, o famoso artista britânico conhecido pelo seu delicado trabalho de recorte de metal em rendas inspiradas na natureza.
Durante várias semanas, o artista esteve em residência em Douai para criar duas obras poéticas inéditas a partir de um Renault 5 E-Tech elétrico e de um Renault 5 histórico. Desenhos preparatórios, recortes a plasma feitos à mão, pintura e remontagem das peças do veículo: tantas etapas minuciosas para que a emoção transbordasse. E que emoção!
Todas as obras de Dan Rawlings têm um ponto em comum: a natureza. E foi inspirando-se na vegetação em torno do complexo industrial de Douai que o artista concebeu a estrutura metálica recortada do «seu» Renault 5 E-Tech electric, com a forma de sarças entrelaçadas.
É a primeira vez que trabalho com um modelo de veículo novo. Nunca tinha desmontado um veículo elétrico nem trabalhado numa instalação industrial como a de Douai. Um verdadeiro desafio! Achei particularmente interessante fazer com que essas sarças simbólicas percorressem toda a estrutura do carro, como se a natureza estivesse a recuperar os seus direitos sobre a matéria num impulso otimista e tivéssemos de a proteger. Gostei muito da ajuda das equipas no local. Uma experiência inédita de que me vou lembrar por muito tempo.
Uma obra poética inédita que une o automóvel e a natureza
Após uma fase de esboços preparatórios nas superfícies da carroçaria nua do veículo, Dan Rawlingsesculpiu com plasma toda uma renda de formas vegetais nas portas, no capô e na mala. Uma evocação poética que encantou os olhares dos colaboradores de Douai que acompanhavam o artista.
Como explica Anthony Ladiray, vice-chefe do Departamento de Chaparia da ElectriCity, «o atelier do artista foi instalado no Departamento de Chaparia, mesmo ao lado da linha de produção do nosso Renault 5 E-Tech electric. Fabricámos-lhe uma caixa na qual ele pôde desenhar os motivos antes de os esculpir.»
Assim que as esculturas estiveram concluídas, seguiu-se uma breve viagem até ao atelier de pintura para lhes aplicar a tonalidade amarela específica e realçar os motivos recortados. Uma experiência inédita, tanto para o artista como para os colaboradores de Douai.
Não é todos os dias que um veículo fabricado aqui em Douai é transformado por um artista. Para poder pintar o carro após os recortes feitos por Dan Rawlings nas diferentes peças, foi necessário levar este veículo inédito para a nossa oficina de retoques. A colaboração com o artista correu muito bem. Proporcionámos-lhe as melhores condições para trabalhar na sua obra de arte. As folhas e as silvas na carroçaria fazem-me pensar na natureza. Um veículo elétrico com um design ecológico! Isso confere uma bela imagem ao nosso Renault 5-Tech electric, do qual já nos orgulhamos muito.
Por fim, as diferentes peças do quebra-cabeças metálico foram montadas com a ajuda das equipas de Montagem, que ficaram ao mesmo tempo intrigadas e encantadas com a metamorfose do veículo que costumam fabricar a poucos metros dali. Um renascimento para este Renault 5 E-Tech electric e um grande motivo de orgulho para os colaboradores de Douai, que admiram este artista que soube tão bem reinterpretar a sua pequena joia.
Depois de esculpidas as peças metálicas, voltámos a montar os eixos, o motor e a bateria, os cabos elétricos, o painel de instrumentos e os bancos. Foi um grande trabalho coletivo e todos se divertiram. O resultado é impressionante, nunca tínhamos visto nada assim antes. É uma estreia em Douai e ficou muito bem-sucedido. Recriar um Renault 5 já é algo emblemático. Aliás, será o meu próximo veículo. Mas transformar esse veículo numa obra de arte é realmente magnífico!
« Integrar a arte e os artistas contemporâneos na empresa »
Um artista no coração de uma fábrica: uma novidade? Bem, não, pois a relação da Renault com a arte remonta a quase 100 anos. «Esta iniciativa foi verdadeiramente pioneira e traduzia toda a visão vanguardista e audaciosa que ainda hoje está no ADN da Renault», recorda Catherine Gros, vice-presidente de Arte, Património e Mecenato.
Voltemos algumas décadas atrás. Desde 1967, a Renault tem mantidouma relação privilegiadacom artistas contemporâneos,que entretanto se tornaram famosos, no mundo da indústria automóvel francesa.
Sob a iniciativa de Pierre Dreyfus, presidente e diretor-geral da Renault, Claude Renard, responsável pelas relações com o pessoal, criou em 1967 um serviço de mecenato inédito intitulado «Pesquisa, arte e indústria». O objetivo deste serviço não é apenas adquirir obras para diversificar os investimentos, mas sim integrarverdadeiramente a arte e os artistas contemporâneos na empresa. Com esta iniciativa, o artista sai do seu estúdio para se juntar a uma oficina de produção e explorar novos horizontes criativos, beneficiar de conselhos técnicos, aceder a equipamentos e interagir com os operadores. Por sua vez, o pessoal da Renault vê-se exposto a um mundo ao qual normalmente não tem acesso, e este encontro funciona como um catalisador, permitindo alimentar a inovação que está no cerne da empresa.
Hoje, queremos continuar a apoiar a arte contemporânea, com o objetivo de constituir uma coleção única e original de arte urbana, uma forma de arte acessível ao maior número de pessoas.
Dan Rawlings: Criador de rendas metálicas no domínio da arte urbana
Nascido em 1979, Dan Rawlings é um artista inglês autodidata. Cria obras a partir de objetos metálicos industriais que transforma em obras poéticas. Seja um camião-cisterna, um silo de cereais, um avião ou um simples carro, recorta à mão motivos vegetais e florais no material e mostra a natureza a recuperar os seus direitos, com uma linguagem simples e simbólica.
«O fundo para a arte vai permitir-nos impulsionar uma nova dinâmica», explica Catherine Gros. «No espírito das obras pioneiras e de vanguarda que compunham a coleção desde o início, decidimos reinvestir na arte urbana. Um movimento que leva a arte para a rua faz naturalmente eco à nossa vocação de fabricante de automóveis populares. Um símbolo de ousadia e criatividade, voltado para o futuro.» Este novo capítulo foi iniciado em 2023 com os «Hommes en blancs»de JérômeMesnager (ler o artigo) e prosseguiu com o projeto de Dan Rawlings, que retoma a visão da arte «em processo de criação» nas oficinas de fabrico do grupo.«A ambição hoje é recordar a nossa ligação histórica entre a arte e a indústria e dar vida a esta coleção, tornando-a visível ao maior númerode pessoas», conclui Catherine Gros.
A obra de arte de Dan Rawlings inspirada no Renault 5 E-Tech electric está em exposição na MAISON5,a loja pop-up da Renault dedicada ao lançamento do veículo, no coração de Paris, desde 15 de junho até 7 de julho. Uma parte das obras de Erró inspiradas no histórico R5, datadas da década de 80, também está lá em exposição.
Renault e a arte: um século de história
Iniciada já na década de 1930, nomeadamente com a contratação a tempo inteiro do fotógrafo Robert Doisneau (1912-1994), a coleção de arte da Renault reflete tanto a sua época como a história do grupo. Inclui, nomeadamente, numerosas obras do pintor de origem húngara Victor Vasarely (1906-1997) – que redesenhou o logótipo da Renault em 1972 –, mas também de escultores do grupo dos Novos Realistas, como Arman (1928-2005) ou Jean Tinguely (1925-1991), que trabalharam diretamente nas oficinas, com as equipas e os materiais da empresa. E, claro, Erró, um dos principais representantes da Figuração Narrativa, que já tinha tomado como modelo o histórico Renault 5.
Hoje em dia, a coleção de arte é:
Mais de 300 obras para o acervo artístico (pintura, escultura, acumulação…).
200 obras no fundo fotográfico (Robert Doisneau, Robert Franck e Frank Riboud).
Empréstimos para exposições internacionais.
O regressode artistas em residência (como Dan Rawlings).
O desenvolvimento do acervo na direção da arte contemporânea, incluindo a arte urbana.
Novas parcerias que irão ser estabelecidas.
E porque um pequeno vídeo vale mais do que mil palavras, (re)descubra em imagens a relação única que se foi tecendo ao longo dos anos entre o Grupo e o mundo da arte: