Elétrico, híbrido, hidrogénio: compreender as diferenças

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Com o advento dos veículos de baixo impacto de carbono*, já se ouve falar regularmente de carros elétricos, de motorizações híbridas ou de carros a hidrogénio. O que abrangem exatamente estes conceitos e como se orientar? Siga este guia. 

POR Renault Group

Embora, durante muito tempo, a questão da motorização se tenha resumido à escolha entre gasolina e gasóleo, é agora necessário lidar com uma tecnologia que muda completamente o panorama: omotor elétrico. Por vezes, suplantou totalmente o seu antecessor, o venerável motor de combustão interna: fala-se então decarro elétrico. Noutros casos, as duas tecnologias coexistem num mesmo veículo: trata-se domodelo híbrido, com diferentes níveis de interação possíveis, consoante osmodos de recarga e dearmazenamento de energiaprevistos pelo fabricante.

Quais são as diferenças entre veículos híbridos e elétricos?

Vamos começar por analisar as diferenças na utilização. O carro elétrico é completamente silencioso, inodoro e proporciona uma condução muito suave e agradável. No que diz respeito aos custos, tanto os de manutenção como os do «combustível» são reduzidos, uma vez que a energia elétrica émuito mais barata do que a gasolina ou o gasóleo. No que diz respeitoà autonomia, ocorreram inovações importantes. Enquanto há 15 anos mal se atingiam os 150 quilómetros de autonomia, agora é possível percorrer até 410 km com um Renault 5**. E o carregamento está a tornar-se cada vez mais rápido: passa-se de 15% para 80% de autonomia em 30 minutos de carregamento**.

Os automóveis híbridos, por sua vez, têm uma autonomia ligeiramente superior à de um automóvel com motor de combustão tradicional, uma vez que se trata de veículos a gasolina ou a gasóleo aos quais foram adicionadas uma ou duas baterias elétricas como reforço. A propulsão elétrica reduz o consumo de combustível (até 40 % menos gasolina consumida na cidade). Quando o carro é movido pelo motor elétrico, o conforto de condução e o silêncio são idênticos aos de um carro elétrico. Quando o motor de combustão impulsiona o veículo, a sensação durante a condução é semelhante à de um veículo térmico tradicional.

E quanto ao funcionamento técnico destes modelos? A otimização do consumo de energia é idêntica? Por baixo do capô, quais são as diferenças entre os modelos elétricos, híbridos e a hidrogénio?

Carro 100 % elétrico: o mais avançado

O carro elétrico representa, atualmente, a solução imediatamente disponível mais avançada e mais acessível para dar resposta aosdesafios ambientais relacionados com o aquecimento global e a poluição atmosférica. O que muda? O motor de combustão, a tampa do depósito de combustível e o tubo de escape desaparecem, dando lugar a um motor elétrico alimentado por uma bateria. O carrorecarrega-se numa estação de carregamento instalada em casa, no parque de estacionamento do local de trabalho ou em locais públicos. Capaz de oferecer umaautonomiade várias centenas de quilómetros, funciona em silêncio, não consome energia quando está parado e não emite quaisquer gases. A isto acrescenta-seo prazer de conduzir. O motor elétrico fornece instantaneamente todo o binário de que dispõe, proporcionando uma aceleração imediata e suave. Devido à ausência de combustão e de peças mecânicas em movimento, o motor elétrico oferece uma fiabilidade excecional. Para o condutor, isso significa a garantia de uma manutenção reduzida ao mínimo indispensável.

Existem, no entanto, outras opções. Pode optar por um veículo híbrido que combine propulsão elétrica e motor de combustão. Aqui fica uma visão geral destas variantes, da «menos» à «mais» elétrica.

Carro híbrido: um veículo tradicional com assistência elétrica

Num carro híbrido, encontramos um motor a gasolina (ou diesel) e um motor elétrico, programados para funcionar em conjunto. O princípio da nossa tecnologia E-Tech é o seguinte: o motor elétrico intervém para apoiar a combustão, de modo a diminuir a carga sobre esta última e, consequentemente, o consumo de combustível. Como é que se recarrega então um carro híbrido? É durante as travagens ou desacelerações que a pequena bateria incorporada se recarrega, convertendo a velocidade em energia. No entanto, o carro híbrido continua a depender principalmente das energias fósseis.  Mas permite poupanças de combustível que podem ir até 25% em percursos ditos «mistos» (no campo, em estradas desimpedidas) e essa poupança pode chegar aos 40% na cidade.***

Carro híbrido recarregável: a verdadeira transição

Os automóveis híbridos recarregáveis, por vezes designados pela sigla PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle), vão mais longe. É o caso do Rafale. O princípio? É integrada no chassis uma bateria de maior capacidade, bem como uma tomada que permite a recarga independente através de umatomada domésticaou de uma estação de recarga. Desta forma, o motor elétrico torna-se uma verdadeira alternativa ao motor de combustão para a maioria das deslocações do dia-a-dia. Mesmo que a tração térmica continue disponível para longas distâncias, comonas viagens de férias. A diferença entre um automóvel híbrido completo e um automóvel híbrido recarregável reside, portanto, no facto de apenas o segundo se recarregar numa tomada ou numa estação de carregamento, permitindo uma utilização e uma autonomia elétricas muito superiores.

Veículo híbrido com prolongador de autonomia: um gerador no seu carro

Outra variante consiste em utilizar um motor e uma bateria elétricos para a tração e adicionar-lhes um pequeno motor a gasolina dedicado à recarga: fala-se então de um carro elétrico com extensor de autonomia. O híbrido aproxima-se aqui mais dos 100 % elétricos do que dos 100 % a motor de combustão: a eletricidade é o «combustível» principal. Neste contexto, dispõe-se de uma bateria com capacidade suficiente e da possibilidade de recarga numa estação de carregamento. O carro é capaz de circular no dia-a-dia em modo elétrico, sem emissões de gases de escape. O motor de combustão intervém apenas como apoio, num modo de funcionamento inspirado num gerador. Está presente apenas para prolongar a autonomia ao recarregar a bateria, mas não serve para acionar diretamente as rodas (ao contrário do funcionamento dos carros híbridos tradicionais e dos carros híbridos recarregáveis).

Carro a hidrogénio: o Challenger

Existe, finalmente, um automóvel 100 % elétrico com um modo de alimentação alternativo: o automóvel elétrico a hidrogénio. Trata-se de uma solução estudada pelo Renault Group, que apresentou, em 2024, dois protótipos deste tipo: o Renault Emblème e o Alpenglow. Atualmente, a maioria dos carros elétricos utiliza baterias baseadas natecnologia de iões de lítio, mas existem outras vias para armazenar energia. Acélula de combustível a hidrogéniopermite, por exemplo, gerar eletricidade a partir do hidrogénio, obtido através da decomposição da água ou do metano. No interior desta pilha, o gás é convertido em eletricidade graças a uma reação química com o oxigénio presente no ar ambiente. É alimentada por um reservatório que contém gás armazenado a pressão muito elevada (várias centenas de bar). Ainda subsistem alguns obstáculos. A fabricação das pilhas de combustível implica, por exemplo, o uso de metais raros, bem como uma fonte de energia, de preferência renovável. A implantação em grande escala implicaria também a criação de infraestruturas dedicadas à produção e distribuição de hidrogénio.

Veículos elétricos, híbridos… uma inovação contínua

Desde as baterias de níquel-cádmio, a tecnologia elétrica registou enormes progressos. As baterias modernas já não têm nada a invejar aos veículos a gasolina. Escondidas no interior dos chassis, as baterias de iões de lítio são seguras e, no fim da sua vida útil, são tratadas por sistemas de reciclagem cada vez mais eficientes. Estão a tornar-se mais leves, compactas e com maior capacidade, o que aumenta o raio de ação dos automóveis que as incorporam. E o progresso técnico continua: investigadores da Universidade da Pensilvânia descobriram, em 2019, um novo método que permite carregar, em 10 minutos, autonomia para 300 quilómetros num veículo elétrico. A tecnologia suporta até 2 500 ciclos de carregamento, o que equivale a 800 000 quilómetros. Ocarregamento dinâmico sem contactoé outra via igualmente promissora: com esta tecnologia, baseada na indução, bastaria conduzir para recarregar a bateria. O carro elétrico vai tornar-se imprescindível!

* Baixo impacto de carbono: sem emissões de CO₂ nem de poluentes atmosféricos regulamentados durante a condução, em conformidade com o ciclo de homologação WLTP, excluindo peças de desgaste.

**No ciclo WLTP, a autonomia real depende das condições de condução (tipo de estrada, estilo de condução e condições meteorológicas) e permite passar de 15 % para 80 % em 30 minutos na autoestrada / fonte interna da Renault, 2023.

***valores WLTP

** Os valores de duração e distância aqui referidos são calculados com base nos resultados obtidos pelo Novo ZOE durante o procedimento de homologação WLTP (Worldwide Harmonized Light vehicles Test Procedure, ciclo normalizado: 57 % de percursos urbanos, 25 % de percursos periurbanos, 18 % de percursos em autoestrada), que visa representar as condições reais de utilização dos veículos. No entanto, não pressupõem o tipo de percurso escolhido após a recarga. O tempo de recarga e a autonomia recuperada dependem também da temperatura, do desgaste da bateria, da potência fornecida pela estação de carregamento, do estilo de condução e do nível de carga.

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