Tornar o carro elétrico acessível: o verdadeiro desafio da transição

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Tornar o carro elétrico acessível: o verdadeiro desafio da transição

Resumo do artigo

Grégoire Ginet diante do novo Renault Twingo

Perante o desafio da transição elétrica, o Renault Group faz da acessibilidade um eixo central da sua estratégiafutuREady. Ao conciliar rentabilidade e descarbonização, o Renault Group reinventa o seu modelo industrial em torno do conceito«fácil e acessível». Grégoire Ginet, Responsável de Receitasdo Twingo, explica como o Twingo E-Tech 100 % elétrico personifica esta nova era. 

Como é que o Renault Group enfrenta o desafio de conciliar competitividade e transição ecológica com o Renault Twingo E-Tech electric? 

Grégoire Ginet: Trata-se, de facto, de uma equação complexa, sobretudo no segmento A (veículos pequenos), onde os custos podem subir rapidamente para cumprir as normas de segurança e ambientais. Para a resolver, atuámos em três pilares fundamentais desde a definição do projeto: propor um automóvel apelativo por menos de 20 000 € (antes do bónus), um desenvolvimento ultrarrápido em dois anos e uma produção na Europa.

A agilidade no desenvolvimento é, neste caso, o principal fator impulsionador da rentabilidade. Ao reduzir o tempo de desenvolvimento para apenas 21 meses — contra 4 anos na geração anterior de veículos —, diminuímos drasticamente os custos fixos e as despesas de engenharia. Esta eficiência permite-nos apresentar uma oferta competitiva face aos veículos a combustão, garantindo simultaneamente a produção europeia na nossa fábrica de Novo Mesto, na Eslovénia.

Esta escolha geográfica é estratégica: garante aos nossos clientes o acesso aos bónus ecológicos, reduzindo o preço final para menos de 16 000 €, ou mesmo para menos de 14 000 € em alguns casos.

Para além do preço de compra, o senhor insiste bastante no conceito de veículo «acessível também na utilização». O que é que isso significa, concretamente, para o condutor no dia-a-dia? 

A acessibilidade não deve ser uma questão pontual no momento da compra; deve prolongar-se ao longo de toda a vida útil do veículo. O novo Twingo E-Tech electric visa um consumo recorde de 12,2 kWh/100 km (WLTP), o mais baixo do mercado. Para o cliente, isto traduz-se num custo de recarga extremamente baixo.

Hoje, em França, por exemplo, percorrer 100 km num Twingo custa aos nossos clientes pouco menos de 2,50 € se carregarem o veículo em casa, contra cerca de 10 € com um utilitário a gasolina. É 4 vezes menos! É o que chamamos de um «carro para viver», adaptado à transição real: uma solução que preserva o poder de compra ao mesmo tempo que descarboniza as deslocações diárias.

Reduzir os custos significa, por isso, propor um veículo «low-cost»? Como é que conseguiram preservar o ADN icónico do Twingo, um verdadeiro «carro para viver»? 

É essa a questão: os veículos elétricos só se imporão se forem apelativos. Recusámos qualquer compromisso em matéria de prazer e identidade. O novo Twingo retoma o design icónico e a «cara alegre» da primeira geração, que marcou a história do automóvel nos últimos 30 anos.

Mantivemos as suas características tradicionais, como os bancos traseiros deslizantes independentes, que oferecem uma modularidade digna do segmento superior. Mas é também um veículo decididamente moderno, conectado ao Google para simplificar o carregamento e equipado com inovações como o sistema «One Pedal» para uma condução urbana fluida. Não se trata de uma oferta de baixo custo, mas sim de um produto atraente, prático como uma «mochila» para o dia-a-dia, que prova que a eficiência energética pode rimar com emoção.

O Renault Group aposta numa estratégia que combina veículos elétricos e híbridos. De que forma é que o Twingo E-Tech se insere nesta visão de uma «transição real» para todos? 

Grégoire Ginet: A verdadeira transição é aquela que não deixa ninguém para trás. Ao propor uma gama que assenta em duas vertentes — os híbridos pela sua versatilidade e os elétricos pela eficiência urbana —, o Renault Group responde à diversidade de utilizações. O Twingo E-Tech ilustra na perfeição esta abordagem «fácil e acessível»: torna a mobilidade elétrica acessível onde esta motorização é mais relevante, para as deslocações do dia-a-dia, ao mesmo tempo que complementa a nossa oferta híbrida (E-Tech full hybrid). É oferecendo soluções concretas, economicamente viáveis e adaptadas às necessidades diárias que transformaremos a ambição ecológica numa realidade generalizada.