Renault dá cor ao mundo

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Os números são implacáveis! Apesar de uma oferta cada vez mais diversificada em termos de cores de carroçaria, são as cores ditas «neutras», como o branco, o preto e o cinzento, que são, de longe, as mais escolhidas pelos clientes de automóveis novos. Neste contexto, a Renault destaca-se, uma vez que a marca do losango dá mais cor às estradas da Europa do que os seus concorrentes. Um traço identitário explicado por François Farion, Designer-Chefe de Cores e Materiais da Renault.

POR LAURA VEDEL

«Olá, escuridão, minha velha amiga»

Branco, preto, cinzento. A constatação é inequívoca: tal como todos os anos, há 10 anos, as cores que dominama indústria automóvel são bastante monótonas. Por si só, representam cerca de 70% dos modelos vendidos em todo o mundo, de acordo com um relatório sobre a popularidade das cores automóveis da Axalta, um dos principais fornecedores de tintas para automóveis. Se analisarmos mais de perto, a cor mais em voga continua a ser o branco, que reveste as carroçarias de 38% dos veículos novos vendidos em todo o mundo, seguido pelo preto (19%) e pelo cinzento (15%). No meio desta monotonia, para François Farion, Designer-Chefe de Cores e Materiais da Renault, «a Renault destaca-se com uma oferta mais colorida do que a média. E isso funciona, pois vendemos cerca de 10% mais cores do que os nossos concorrentes! »

Renault e as cores: uma história de amor que não começou ontem

Pierre Lefaucheux
Pierre Lefaucheux, presidente da Renault de 1944 a 1955

No final da Segunda Guerra Mundial, a indústria automóvel europeia retomou a sua atividade sem adotar cores. No entanto, a marca Renault viria a assumir um papel pioneiro ao diversificar a sua gama de cores disponíveis. Tudo começou na década de 50, com a visita do presidente da General Motors. Recebido por Pierre Lefaucheux, o então presidente da Renault, este não hesitou em expressar o que pensava ao visitar as linhas de produção: os carros da Régie careciam de alegria! É preciso dizer que os Estados Unidos estavam à frente no que diz respeito à cor no setor automóvel: do verde-maçã ao rosa-chiclete, pode-se dizer que as ruas estavam cheias de cor… A semente estava lançada!

Paralelamente, Paule Marrot, uma talentosa e reconhecida decoradora, escreve a Pierre Lefaucheux para lhe sugerir que introduza cor na oferta demasiado «monótona» da Régie, que já não se adequa aos gostos dos consumidores da época. Foi esse o momento decisivo.

Em 1953, teve início a colaboração entre Paule Marrot e a Renault. Para além da sua reputação no setor têxtil e dos papéis de parede, ela impôs-se como consultora de cores na indústria automóvel… uma nova profissão feita à medida desta grande senhora. «É a ela que se deve a introdução de cores verdadeiramente diferenciadoras na gama Renault, o que contribuiu nomeadamente para o sucesso do Dauphine, proposto na época com uma paleta rica de 30 tons pastel…» uma novidade, afirma François Farion! É também a Paule Marrot que a Renault deve a criação do seu departamento Cores & Materiais. Como já deve ter percebido... A Renault e as cores, é um romance que não data de hoje.

E se a Renault desse um toque de cor à sua vida?

Ao longo dos anos, face ao predomínio dos tons neutros, a Renault continua a destacar-se com uma gama mais colorida do que a média dos outros fabricantes automóveis.

Twingo premiere generation
Renault Twingo vermelho coral, amarelo indiano, verde coentro, azul ultramar

Todos se lembram, por exemplo, do Twingo de primeira geração… Na altura, a Renault destacou-se, nomeadamente, por quebrar os códigos de cores!

O carro foi apresentado nos concessionários em março de 1993 com quatro cores de lançamento: azul ultramar, vermelho coral, verde coentro e amarelo indiano. O «Grenouille» marcou a sua época. François Farion conta-nos que nem sequer foi disponibilizado em branco. Ousado, não é?

Renault Captur
Renault Captur e a personalização: o advento do estilo bicolor

Por seu lado, o Captur deve parte do seu sucesso às suas possibilidades de personalização, como comprovam os 80% das suas vendas que são realizadas em cores bicolores. Atualmente, está disponível com até 90 combinações de personalização exterior.

Uma verdadeira «vantagem» para os condutores que desejam expressar a sua personalidade através da escolha da cor do seu veículo! E com razão, pois a cor está longe de ser um pormenor!

Se dermos crédito a François Farion:

A cor é muitas vezes a segunda pergunta que nos fazem quando dizemos a um familiar ou amigo que comprámos um carro. A primeira é: que modelo? A segunda: de que cor?

François Farion

Designer-chefe de Cores e Materiais

Que futuro se perspetiva para as cores?

Fiel à sua filosofia, a marca Renault optou por apostar mais do que nunca na cor para os seus modelos atuais. Segundo François Farion: «A Renault sempre procurou cores que se vivessem.» Ele complementa, aliás, esta afirmação explicando que um dos objetivos da marca é «levar a cor para as ruas. » Mas as cores estão prestes a transformar-se: «À tonalidade uniforme de sempre, a Renault gostaria de substituir por mais requinte e subtileza.» Como ? Apostando mais nas combinações, nas texturas ou nas tonalidades interferenciais, tornadas possíveis graças à tecnologia que, tal como a moda e as tendências, está em constante evolução! Ficaremos atentos aos próximos modelos…